MUDE A VISÃO, ALTERE A REALIDADE

MUDE A VISÃO, ALTERE A REALIDADE 

 

É fundamental que observemos a nós mesmos e a nossa família, para verificarmos o estado em que tudo se encontra.

Podemos ter estabelecido um excelente projeto e até mesmo iniciado bem a sua execução, mas, se não o acompanharmos de perto, poderemos correr o risco de perdermos a rota, naufragarmos, e morrermos frustrados.

Debilidade em alguma área da nossa vida ou da família pode abalar, e até mesmo destroçar tudo o que de bom tenhamos planejado e que está em franco andamento.

Nenhuma pessoa em pleno exercício de suas funções mentais projeta desgraça para si; tão pouco planeja a falência daquilo que tenha arquitetado. Somente os tolos é que o fazem. Um exemplo disso encontramos naqueles que vão casar-se e antecipadamente começam a declarar: “vou me casar, se não der certo, eu me separo.” A sentença de destruição e divórcio já está profetizada, e a colheita é exatamente a que foi declarada, porque há grande poder de materialização nas palavras que dizemos sobre qualquer assunto.

Às vezes, palavras vãs não foram declaradas, entretanto, falhas graves cometidas podem gerar problemas sérios. Um exemplo muito claro disto está relatado na Bíblia sobre a família de Elcana e Ana. Nela havia aspectos positivos, ou seja, o seu lado bom, mas também falhas.

Elcana era homem verdadeiramente aliançado com o Deus Eterno e, por isso, O honrava com adoração, sempre obedecendo aos preceitos estabelecidos. Além disso, como o líder da família, exercia o sacerdócio espiritual em sua casa com muito comprometimento, e levava os seus queridos a viverem suas próprias experiências com o Senhor, quando, nas datas determinadas, conduzia todos a Siló, ao lugar onde estava a Arca da Aliança, para viverem um encontro de amor com o único e grande Deus.

Como homem de Deus, Elcana, em suas atitudes, nos desafia a fazermos algumas perguntas a nós mesmos: Temos exercido a liderança sacerdotal em nossa família? Temos sido exemplo de adoradores de Deus em nossa casa? Temos levado nossos familiares a viverem experiências pessoais com Deus? As respostas que dermos falarão sobre a nossa realidade pessoal e familiar.

O relato bíblico nos diz que Ana, a esposa amada de Elcana, era estéril e, ele, a fim de suscitar descendência e perpetuar o seu nome, tomou a Penina como sua segunda esposa, a qual lhe deu filhos e filhas. Mas …  era exatamente na oportunidade em que iam a Siló e todos deveriam estar contritos em adoração, que um fato danoso acontecia. Diz o relato bíblico: “Subia, pois este homem da sua cidade de ano em ano a adorar e a sacrificar ao SENHOR dos Exércitos, em Siló; e estavam ali os sacerdotes em Siló; e estavam ali os sacerdotes do SENHOR, Hofni e Fenéias, os dois filhos de Eli. E sucedeu que, no dia em que Elcana sacrificava, dava ele porções do sacrifício a Penina, sua mulher, e a todos os seus filhos, e a todas as suas filhas. Porém a Ana dava uma parte excelente, porquanto ele amava Ana; porém o SENHOR lhe tinha cerrado a madre. E a sua competidora excessivamente a irritava para a embravecer, porquanto o SENHOR lhe tinha cerrado a madre. E assim o fazia ele de ano em ano; quando ela subia à Casa do SENHOR, assim a outra a irritava; pelo que chorava e não comia.

Então, Elcana, seu marido, lhe disse: Ana, por que choras? E por que não comes? E por que está mal o teu coração? Não te sou eu melhor do que dez filhos?” (1Sm.1:3-8).

O tempo destinado a adoração era usado por Penina para agredir a Ana, provocando-a insistentemente, talvez por inveja, por causa do amor que Elcana lhe tributava. Tamanha era a pirraça que a outra fazia, que Ana reagia somente chorando e ficando sem se alimentar, aumentando assim a angústia e a dor em sua alma. Diante deste quadro, seu marido querendo saber o que estava acontecendo, perguntou-lhe: “Por que choras? Por que não comes? Por que está mal o teu coração? Não te sou eu melhor do que dez filhos?”

Estas perguntas nos levam a entender que ele não percebia as atitudes más de Penina, e que não estava muito próximo às esposas no que concerne ao relacionamento entre elas. E, ao declarar-se melhor do que dez filhos, ele demonstrou não perceber o estado da alma de Ana em relação a ser uma esposa frutífera que exerce a maternidade e suscita descendência ao esposo; que toma filhos nos braços, os amamenta e lhes ministra afetos maternais. Também nos faz entender que Elcana não discernia que o amor do marido à esposa, é de marido, e não de filhos. Todo o carinho que ele ministrava não conseguia preencher o coração de mulher- mãe, apenas o de mulher-esposa. Tão pouco poderia Ana entregar afetos maternais a um marido, uma vez que eles pertencem exclusivamente a filhos. Sendo assim, ela não se sentia plenamente realizada como ele entendia que deveria estar.

Além da forte carência maternal, Ana carregava sobre si o estigma social de amaldiçoada por Deus, o que dava a Penina a oportunidade de humilhá-la excessivamente, por ser ela a esposa que gerava filhos a Elcana. Enquanto sofria intensamente, Ana demonstrava ter estado com a visão focada apenas em seus problemas e sobre Penina, até que, em certo momento, em meio a tanta angústia, ela percebeu que poderia alterar sua realidade e aniquilar o lado ruim da família, somente trocando a “Visão Esterilidade”, pela “Visão Altar”. Ela entendeu que chorar, não comer e se angustiar, nunca resolveria suas limitações. Assim, decidiu voltar-se para o Todo-Poderoso Deus, rasgar o coração e expor suas dores e anseios.

Prossegue a narrativa: “Então, Ana se levantou, depois que comeram e beberam em Siló; e Eli, o sacerdote, estava assentado numa cadeira, junto a um pilar do templo do SENNHOR.

Ela, pois, com amargura de alma, orou ao SENHOR e chorou abundantemente. E votou um voto, dizendo: SENHOR dos Exércitos! Se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, mas à tua serva deres um filho varão, ao SENHOR o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha.” (1Sm.1:9-11)

Enquanto derramava-se intensamente diante de Deus, o sacerdote a observava; e, pensando que ela estivesse embriagada, disse-lhe: “Até quando estarás tu embriagada? Aparta de ti o teu vinho. Porém Ana respondeu e disse: Não, senhor meu, eu sou uma mulher angustiada de espírito; nem vinho nem bebida forte tenho bebido; porém tenho derramado a minha alma perante o SENHOR. Não tenhas, pois a tua serva por filha de Belial; por que da multidão dos meus cuidados e do meu desgosto tenho falado até agora.

Então, respondeu Eli e disse: Vai em paz, e o Deus de Israel te conceda a tua petição que lhe pediste.

E disse ela: Ache a tua serva graça em teus olhos. Assim, a mulher se foi seu caminho e comeu, e o seu semblante já não era triste.

E levantaram-se de madrugada, e adoraram perante o SENHOR, e voltaram, e vieram à sua casa, a Ramá.  Elcana conheceu a Ana, sua mulher, e o SENHOR se lembrou dela.

E sucedeu que, passado algum tempo, Ana concebeu, e teve um filho, e chamou o seu nome Samuel, porque, dizia ela, o tenho pedido ao SENHOR.” (1Sm.1:14-20).

Ao voltar-se para Deus, Ana saiu da posição de sofredora e humilhada, para a de vencedora. Ao orar rasgando o coração e fazendo voto de entrega a Deus da bênção tão almejada, Ana transferiu para Ele as suas limitações e conquistou a vitória no amor daquele que exalta a humilhados, e faz muitíssimo além do que pedimos ou pensamos.

Ao centrar sua visão na pessoa de Deus, Ana tirou a esterilidade e Penina do centro de sua vida, e pôde receber a Samuel, o filho que a transformou em uma mulher realizada como esposa e mãe, que gerou honra a seu pai Elcana, o qual passou a ser visto como o pai do menino a quem Deus fala, trouxe também a voz de Deus de volta a Israel, e tornou-se o honrado sacerdote e profeta do seu tempo.

Quando “a visão do Altar de Deus” está impregnada em nós, não há barreira que nos impeça de alcançar o que tanto almejamos, e de gerar o lado bom que aniquila o que é ruim em nós, e em nossa família.

A “Visão Altar” nos leva a Deus e ao encontro do bem que necessitamos.

Ao fixarmos nossos olhos no “Altar de Deus”, encontramos ao que se assenta no Trono e diz: “Clama a mim e te responderei;”. Quando isto acontece, tudo muda dentro de nós e ao nosso redor.